Fórum Distrital : autoridades lembram exemplo legado pelo professor Jalles Costa

 

Dezesseis mil processos autuados, dos quais mais de 12 mil julgados, atendendo a uma população superior a 162 mil pessoas de diversos bairros da Zona Sul de Natal. Foi este Fórum Distrital que nesta sexta-feira (11) recebeu um nome a altura do serviço que presta a cidadãos de todas as classes : Jalles Costa (1932-2003). O professor de Direito e humanista foi homenageado em solenidade presidida pelo desembargador Aderson Silvino, presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN). “Ele foi um mestre que contribuiu sobremaneira para o enriquecimento intelectual e moral de todos aqueles que tiveram a oportunidade de se deixarem arrebatar, nos bancos da universidade, por suas admiráveis exposições” – sublinhou o dirigente máximo do Judiciário potiguar durante  a cerimônia de inauguração oficial do Fórum.

Dotado de varas de família, criminais, juizados especiais cível e criminal, distribuidor, administração, sala de mediação e setores para o trabalho do Ministério Público, Defensoria Pública e Ordem dos Advogados do Brasil, o Fórum Jalles Costa ainda sedia a Comissão Permanente de Gestão Ambiental (Copegam) e tornou-se um dispositivo indispensável no cotidiano da população do Sul da capital desde 2008. Ex-procurador geral do Estado, Jalles Costa residiu próximo ao local onde fica o prédio que agora leva seu nome, em placa de bronze – fato lembrado pela juíza Fátima Soares, diretora da unidade, ao falar sobre o professor.

Advogado e também professor universitário, Carlos Alberto Jalles Costa, irmão do homenageado, recordou que eles estudaram juntos na Itália, França e Inglaterra. Viram de perto o existencialista Jean Paul Sartre e o líder universitário Daniel Cohn-Bendit, no movimento estudantil de Maio de 1968, momento até hoje lembrado como um dos mais marcantes do Século 20. Trouxe aos presentes a memória do irmão, que há muito tempo já desenvolvera uma visão de longo prazo sobre os desafios que o mundo iria vivenciar nas décadas seguintes. “Dedicando-se aos estudos de Direito Internacional, (Jalles) tinha certeza que os conflitos, as dissenções, as diferenças seriam melhor resolvidas dentro de uma ordem em que predominava o direito legitimo das Nações” – salientou Carlos Alberto.

Professor e mediador

Presentes ao evento estavam os desembargadores Amaury Moura Sobrinho, Zeneide Bezerra, Gilson Barbosa e Glauber Rego, o diretor do Foro da Comarca de Natal, juiz Mádson Ottoni, a presidente da Associação Brasileira das Mulheres da Carreira Juridica – RN, Soledade Fernandes, e o senador José Agripino Maia, entre diversas outras autoridades. Este último lembrou que participou em 1982 - após deixar a prefeitura do Natal para disputar o governo do Estado - do primeiro debate daquela campanha, na UFRN. O embate era contra o então adversário Aluízio Alves, muito mais experiente a época, “sob a mediação de um homem probo”, fez questão de pontuar, era o professor Jalles Costa. “Foram quatro horas inesquecíveis”, contou o senador.

Mádson Ottoni falou na cerimônia e apresentou o Jalles professor, dedicado, perspicaz e que deixou grande exemplo de profissional e de inteligência a serviço do Direito.

Um dos momentos mais emocionantes da solenidade foi a declamação do poema “Vou-me embora pro passado”, de Jessier Quirino, pelo estudante Kalyadson Silva, da rede pública de Parnamirim. Além dele, vários alunos da cidade vizinha, tocaram a cantaram diversas músicas e entoaram jograis e poesias em memória do professor de Direito, homenageado por meio da Resolução 027/2013, aprovada pelos desembargadores do Pleno do TJRN, de forma unânime.

 

 

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