Encontro de Servidores aborda uso da Inteligência Artificial para melhoria da prestação jurisdicional

O uso da tecnologia como instrumento para uma Justiça mais eficiente. Foi com este tema que o Tribunal de Justiça do RN promoveu mais um encontro com servidores da Justiça Estadual potiguar, nesta quinta-feira (22), desta vez com os que atendem a população da região do Seridó. Com o Tribunal do Júri do Fórum Municipal Amaro Cavalcanti tomado por servidores, que marcaram presença maciça no evento, a edição em Caicó do 1º Encontro Regional dos Servidores do Poder Judiciário do RN foi dedicada a discussão sobre a utilização da Inteligência Artificial no dia a dia das pessoas e no ambiente de trabalho. O evento contou ainda com apresentações culturais, como grupo de capoeira e banda de música.

O uso da Inteligência Artificial no Poder Judiciário foi debatido em uma mesa redonda com os juízes Adriano Araújo e José Vieira e o professor Flavius da Luz e Gorgônio, do Departamento de Computação e Tecnologia da UFRN, tendo como moderador o secretário de Tecnologia da Informação do TJRN, Gerânio Gomes.

O juiz Adriano Araújo, que tem larga experiência na área de informática, abordou a tecnologia na prestação jurisdicional; o juiz José Vieira, que é universitário na área, tratou sobre o diálogo das demandas da área-fim e o setor de tecnologia dos tribunais; e o professor Flavius da Luz falou sobre Inteligência Artificial e o Direito. Os servidores participaram dos debates fazendo perguntas e levando seus questionamentos aos debatedores. Eles também homenagearam os dirigentes do Tribunal de Justiça com a entrega de cestas com produtos regionais.

Adriano Araújo disse que o tema da Inteligência Artificial (IA) é muito importante, considerando-se que esse é o futuro dos processos judiciais. Ele citou, como exemplo, soluções de informática para processos judiciais utilizando Inteligência Artificial, como no caso da Advocacia Geral da União, que já tem um sistema chamado “Sapiens” que utiliza a IA para produzir peças processuais, que são protocoladas no PJe. Segundo ele, a ideia é que o PJe incorpore futuramente uma solução parecida para a minuta de decisões, despachos e sentenças.

Segundo o magistrado, o juiz ao se deparar com uma situação para a qual ainda não tenha um entendimento formado ou se trate de tema novo ou mais complexo, vai poder se valer da Inteligência Artificial embutida no PJe, nesta versão futura, para verificar se já existe uma decisão ou uma sentença sobre o tema e se houve manutenção da decisão pelos tribunais. “Ou seja, isso irá facilitar enormemente o trabalho do juiz que é o que a gente precisa hoje”, ressaltou o juiz Adriano Araújo.

De acordo com o magistrado, o Judiciário vive hoje uma situação de demandas repetitivas, de massa, um volume de trabalho monstruoso que a Justiça tem que dar conta diariamente com pouca mão de obra. “Então se você tem pouca gente e muito trabalho, a gente tem que encontrar outras alternativas. E uma delas é a informática, e dentro da informática o uso da Inteligência Artificial para agilizar a produção diária do trabalho”, ensinou.

Gerânio Gomes, secretário de Tecnologia da Informação do TJ, falou do momento de investimentos em informática vivido pelo Tribunal de Justiça do RN. “Este momento é bastante importante para todo mundo. A Secretaria de Tecnologia não tinha oportunidade de mostrar seus serviços e demonstrar também que está à disposição para escutar a todos. E também podendo levar as informações do que a Secretaria está executando e escutar de alguns servidores também as indignações, as reclamações para que a gente corrija”.

Valorização

Para o servidor Rivaldo Dantas, da 2ª Vara de Caicó, a importância do evento é enorme para os servidores. “A gente sabe que ninguém gosta de trabalhar sem ser valorizado. E isso nos dá aquela sensação de que o Tribunal de Justiça está realmente nos valorizando”, opinou. Rivaldo afirmou que o TJ não funciona somente com a magistratura, até porque os servidores são, segundo ele, as 'pernas' do tribunal e servidor desvalorizado, com certeza, a produtividade cai.

Nós temos agora o exemplo bem concreto disso. O Tribunal estava com o Selo Bronze, até pouco tempo atrás, e hoje nós pulamos para o Selo Ouro. Então sabemos que a valorização traz este aspecto positivo para o jurisdicionado, que é aquele que recebe o serviço do Tribunal de Justiça. Eu espero que a partir de agora aja mais encontros com os servidores para que a gente faça este 'feed back'”, afirmo.

Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Norte - Praça Sete de Setembro, nº 34, Cidade Alta, Natal/RN, CEP 59025-300 - (84) 3616-6200